Thursday, August 05, 2004

História 1

705. HISTÓRIA DA HERÁLDICA (1) - ORIGENS
A carta de brasão de armas mais antiga que se conhece é de 1438 (Gil Simões) e não há menção alguma a cartas antes de D. João I;
2º Não há referência alguma a reis de armas ou equivalentes antes de D. João I em histórias de reis, mas depois dele todas as histórias lhes fazem referêcia;
3º Fernão Lopes na sua crónica (2ª parte, Cap. 38) dá a entender claramente que até à Batalha de Aljubarrota não os houve. Donde:

"É portanto fora de dúvida que foi no reinado de D. João I, e depois da Batalha de Aljubarrota, que teve início em Portugal a arte heraldica; a qual era exercida pelos reis de armas, arautos e passavantes, sob a designação de oficiais de armas. (...) não foi, como erradamente afirmam vários escritores, el-rei D. Manuel quem os instituiu, nem tão pouco o seu primeiro reformador; porque já anteriormente, em 1476, el-rei D. Afonso V fizera várias reformas e reparou alguns abusos:
«... defendo que nenhum plebeu nem outra alguma pessoa tragam nenhumas armas, em escudo, salvo se for fidalgo de cota de armas, sob pena de pagar 1 marco de prata para o dito rei de armas (...) 21 de Maio (...) 1476». (...)

D. Manuel
(...) chegando ao conhecimento deste monarca o estado pouco lisonjeiro em que a arte heráldica se achava entre nós, resolveu mandar aos reinos estrangeiros pessoa idónea, para estudar esta ciência, a fim de tratar com acerto a sua reorganização (...) 1509 (...) D. Manuel foi o primeiro monarca que fez surgir do caos em que jazia, a arte heráldica em Portugal (Archivo Heraldico-Genealógico do Visconde Sanches de Baena. Lx, Typ. Universal, 1872: p. IX-XV)

Como o Joaquim vai publicar o brasão de Idenha, achei melhor não dar continuidade à série e enviar-lhe a identificação por mail.
A razão porque ninguém o conseguiu identificar antes é simples: é 1 brasão triplo, com 1 acrescento aberrante.
Mas também não é nada de transcendente. O problema é que a heráldica para a maior parte das pessoas... é um caos.. falta-lhe princípios (que vão nesta série e numa anterior sobre diferenças), ordem, católogos, etc.

História 3

739. HISTÓRIA DA HERÁLDICA (3) - CRIMES E PENAS
“Mandamos que qualquer pessoa de qualquer calidade e condição que seja, que novamente (= de forma nova) tomar Armas que de direito lhe não pertenção encorrão em pena de dois anos de degredo para cada hu dos nossos Lugares dafrica, e mais pague sincoenta (50) cruzados doiro para o Rey darmas ou official outro darmas que o acuzar: e mais pelo mesmo caso fique incapas de mais poder haver Armas suas nem delas usar.

E quem quer que tiver Armas suas e as leixar em todo tomando outras assim novamente que lhe não pertenção perca suas Armas proprias sem mais as poder ter nem dellas uzar.

E quem as der acrescentar ou deminuir nas suas Armas assim novamente e lhe não pertencendo aquellas que lhe não pertencem enconrram na mesma pena de degredo e dinheiro como em sima he declarado, e não uzara d’ outras Armas salvo daquellas que propria, e directamente forem suas.

E esta mesma pena averá quem tiver tomadas as ditas Armas ou acrescentandoas na dita maneira, e não as deixar athe por todo omes de Janeiro do anno que vem de quinhentos e treze
(D. Manuel, 18/7/1512; in Archivo Heraldico-Genealógico do Visconde Sanches de Baena. Lx, Typ. Universal, 1872: doc. nº 6, p. XXIX)

Diferenças 1

71. DIFERENÇAS EM HERÁLDICA (1) - SISTEMA ANTIGO
As diferenças são usadas para distinguir os descendentes do chefe de linhagem, que usava as armas “plenas”, a partir dele a diferença era consoante a sua ligação ao chefe de linhagem:
Pai e Avô (“diferença de macho legítimo”): Flor de liz, trifólio, merleta, anel, crescente, farpão, etc.
Pai e Avó: Apenas meia-brica (canto direito) com uma das ditas peças.
Mãe e Avô: Brica de arminhos, veiros, vierada, arminhada, gretada, fimbrada, de cor ou de metal, carregada com uma das “diferenças de macho legítimo”.
Mãe e Avó: Brica como a anterior, e sobre ela uma almofada, ou cochim, com suas maçanetas, e sobre ela uma manilha.

(Regimento ou Ordenança da Armaria, comentado por Pedro Sameiro, Das Diferenças em Heráldica, Armas e Troféus, S. 8, T. 2 (1998): p. 60-61; resumo Alex a 11/1)

Diferenças 3

93. DIFERENÇAS EM HERÁLDICA (3) - LINHAGEM REAL LEGÍTIMA
As armas reais de Portugal apenas eram usadas pelo rei, rainha e infantas.
O sistema de diferenças na linhagem real tinha uma grande divisão: legítimos e ilegítimos.
Os filhos usavam um lambel, uma espécie de assento em forma de M comprido.
Apenas o 1º filho, o primogénito, tinha direito às pontas do lambel virgens. O 2º filho carregaria a 1ª ponta com armas da mãe, o 3º infante carregaria 2 pontas, o 4º 3 pontas, o 5º dobraria o carregamento numa ponta, e assim sucessivamente.
Quanto ao filho do Príncipe herdeiro, carregaria cada ponta com um botão de rosa!
Os filhos dos outros infantes, usam as armas dos pais, mais diferenças!
Estas diferenças não eram fixas, e deviam desaparecer quando houvesse sucessão na coroa

(Regimento ou Ordenança da Armaria, comentado por Pedro Sameiro, Das Diferenças em Heráldica, Armas e Troféus, S. 8, T. 2 (1998): p. 61-62; resumo Alex a 11/1)

Diferenças 2

86. DIFERENÇAS EM HERÁLDICA (2) - SISTEMA MODERNO
Algures depois da Restauração, talvez no reinado de D. João V (p. 67), dado existir na BN um “Tratado de Heráldica” dessa época, o sistema mudou, basicamente por simplificação, sendo as diferenças agora sempre colocadas em brica:

Diferenças masculinas: Letra do nome, merleta, flor de liz, trifólio, moleta, cardo florido, farpão, triângulo, banda gotada, banda fretada, banda de arminhos, banda raxada, banda de metal, banda de cor, banda composta, banda endentada, banda veirada e filete em banda.

Diferenças femininas: Almofada, quadrícula, anel, Lua, crescente e a Estrela.
(Tratado de Heráldica, comentado por Pedro Sameiro, Das Diferenças em Heráldica, Armas e Troféus, S. 8, T. 2 (1998): p. 67; resumo Alex a 11/1)

Diferenças 4

103. DIFERENÇAS EM HERÁLDICA (4) - LINHAGEM REAL ILEGÍTIMA
Os filhos ilegítimos também tinham direito a brasão, consoante o tipo de ilegitimidade, podiam ser: 1º naturais, da natureza, entre pessoas solteiras; 2º bastardos, entre uma pessoa casada e outra solteira; 3º de “coito danado”, ou seja, adulterinos, incestuosos e sacrílegos.

1º Filhos Naturais: Uma cotica em banda (= linha oblíqua da “esquerda” para a “direita”), ou composta, ou fimbrada, ou de veiros, ou de arminhos, ou gotada, ou endentada ou arneada.
2º Bastardos: Um filete em barra (= linha oblíqua da “direita” para a “esquerda”), endentado.
3º Filhos de Adultério: O mesmo filete, em azul.
4º Filhos de Incesto: O mesmo filete, em verde.
5º Filhos de Sacrilégio: O mesmo filete, em vermelho.

(Regimento ou Ordenança da Armaria, comentado por Pedro Sameiro, Das Diferenças em Heráldica, Armas e Troféus, S. 8, T. 2 (1998): p. 61-62; resumo Alex a 11/1)

Como é que numa pedra se distinguem estas cores?

Ordem do Carmo

1307. BRASÃO RELIGIOSO DA ORDEM DO CARMO
Roubado ao Blog da Miúda

É na frontaria da Igreja do Carmo, no Porto.
Este brasão tem de ser conhecido de todos os que se dediquem à heráldica, não andem a tentar identificá-lo no meio das famílias...
É bastante vulgar.

Descrição simples:
Brasão mantelado, tendo em cada porção uma estrela = Brasão terciado (=dividido em 3) em manto, imaginem um manto de um alto designatário religioso a cair..
Nas imagens da Misericórdia vemos o manto de N. Srª sobre os pobres.

Brasão de armas da Família Orta

1616. DEVE-SE ESCREVER HORTA OU ORTA?
(BRASÃO DE ARMAS DA FAMÍLIA ORTA)

De acordo com a Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura e os livros de Heráldica a família Orta deriva de Horta, sendo o Orta para dar um "ar aristocrático"! Horta viria da família Huerta de Aragão ou das hortas de Alenquer no tempo de D. Afonso V ou de Hortas de perto da Guarda.
Só agora me apercebi que esta explicação não tem nada a ver com o brasão da família: um braço de carnação esquerdo empunhando uma chave (em ângulo recto) para baixo, sobre contrachefe de 6 peças. Timbre: o braço empunhando (em ângulo recto) uma chave.

Objecções:
1º Estas armas são portuguesas porque as famílias estrangeiras Huerta, Orta, Orton, etc., têm outros brasões.